Caso Chupa-Chupa e Operação Prato - Entrevista com o Jornalista Carlos Mendes

Chupa-chupa é o apelido dado ao conjunto de ocorrências que tiveram lugar em parte de Estados do Norte e Nordeste Brasileiro a partir de 1977. Caracterizava-se por um objeto voador luminoso, em alguns casos tripulados ou com manifestação claramente inteligente, que focava um feixe de luz em moradores das regiões afetadas. Estes se mostravam debilitados e assustados. Tal conjunto de ocorrências gerou pânico nas localidades afetadas obrigando à Força Aérea Brasileira a iniciar uma operação de estudo e acompanhamento do misterioso fenômeno.
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Página 14 - Entrevista com o Coronel Uyrangê Hollanda


Página 15 - Entrevista com o Jornalista Carlos Mendes


Página 16 - Entrevista com o piloto Ubiratan Pinón Frias


crédidos da imagem: Revista UFO


Entrevista com Carlos Mendes, concedida à A. J. Gevaerd, da Revista UFO, publicado em sua edição 115.

Sumário:


 

 


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Introdução

De todos os personagens envolvidos diretamente na onda chupa-chupa, ocorrida na Região Amazônica, um tem um repertório especialmente rico para contar. Trata-se do jornalista paraense Carlos Augusto Serra Mendes, que na época trabalhava no extinto O Estado do Pará e foi incumbido para fazer a cobertura dos inúmeros casos de avistamentos de UFOs e ataques a pessoas na Ilha de Colares (PA) e região. Curiosamente, no entanto, Mendes não teve qualquer observação nem mesmo contato com os objetos voadores não identificados que lá operavam, por mais que tentasse. “Eles nunca apareciam onde eu estava. Às vezes eu ia a uma localidade onde durante semanas os fenômenos estavam ativos. Mas era só eu chegar e parar tudo”, desabafa.

O jornalista nos recebeu para uma entrevista em Belém, em 13 de agosto, e mostrou ser um “acervo humano” de tudo o que se refere a UFOs na Amazônia, em especial a Operação Prato. Então um jovem jornalista durante a época da ditadura, Mendes sofreu forte pressão dos militares para que arrefecesse a publicação de suas matérias sobre o chupa-chupa. Ele era constantemente seguido quando ia às áreas atacadas e mesmo em Belém, quando fazia a cobertura de fatos que nada tinham a ver com Ufologia. “Eles sabiam quem eu era e me acompanhavam o tempo todo”. Ele chegou a conviver com o coronel Uyrangê Hollanda, então capitão, e o descreve – ao contrário de muitos outros de seus contemporâneos – como um homem forte e opressor, determinado e ditador. Esta é, certamente, uma figura bem diferente daquele Hollanda que a Ufologia Brasileira conhece através da Revista UFO. “O capitão era um homem muito difícil, praticamente inacessível e inabordável”.

Mendes estava sempre em ação com seu colega Biamir Siqueira e o repórter fotográfico José Ribamar dos Prazeres. Ambos chegaram a ter contatos próximos com o chupa-chupa, e Ribamar fez centenas de fotos dos fenômenos. Uma de suas grandes contribuições à Ufologia foi reparar um erro histórico, que atribuía à Força Aérea Brasileira (FAB) a autoria de todas as imagens de discos voadores publicadas desde 1977. Mendes esclareceu que muitas delas, que a FAB alega serem suas, foram na verdade obtidas por Ribamar, que, numa ocasião, teve suas fotos e até mesmo negativos confiscados pelos militares. “Foi uma ameaça muito forte e intimidadora”, disse o jornalista, lamentando que seu chefe de redação cedera às pressões da Aeronáutica e entregara todo o material requisitado por eles. Vamos à entrevista.

Por favor, conte-nos como foi seu contato com o fenômeno chupa-chupa?

Aconteceu de forma quase obrigatória, pois na época eu trabalhava no jornal O Estado do Pará, hoje extinto, e fui pautado para cobrir os casos que estavam ocorrendo. Como sempre gostei de Ufologia, eu ia com prazer. Sempre tive uma grande curiosidade e também muito ceticismo com relação ao assunto. Andava sempre com revistas e livros sobre os discos voadores e na redação do jornal todos sabiam que eu era interessado por Ufologia. Alguns colegas brincavam, mas todos respeitavam meu interesse.

Você já acreditava em discos voadores?

Eu sempre tive muita curiosidade para entender isso. São aquelas perguntas básicas que todo o ser humano medianamente inteligente tem: Quem somos? De onde viemos? E para onde vamos? Essas são questões filosóficas que remontam aos primórdios da humanidade e sempre a acompanhou, desenvolvida principalmente pelos pré-socráticos da antiga Grécia. A filosofia ajuda na compreensão de vários fenômenos, inclusive aqueles que fogem a uma explicação racional, como os objetos voadores não identificados e seres extraterrestres. Esses questionamentos são cruciais. Mas sempre procurei separar minhas indagações interiores com a realidade da investigação dos fatos que, como jornalista, sou obrigado a fazer.

Você chegou a ter experiências ao ir aos locais dos fatos?

Não, nunca, o que é muito interessante. O Biamir Siqueira, outro repórter do O Estado do Pará, era meu parceiro na cobertura dos casos de chupa-chupa e teve experiências, mas eu não. Tomei conhecimento do fenômeno através do Siqueira, pois foi quem me chamou a atenção para os fatos. “Carlos você que anda com essas revistas de livros de Ufologia aí, precisa ver o que está acontecendo lá em Colares”, disse-me.

Quando foi o epicentro do fenômeno chupachupa no Pará?

Na verdade, eu comecei a pesquisar os fatos entre maio e julho de 1977, mas o fenômeno já estava ocorrendo há muito tempo. Ele vinha desde a Baixada Maranhense, entrava no Pará pelo município de Viseu, a oeste do Estado, e chegava a Belém, até estacionar na Baía do Sol, e ilhas de Mosqueiro e Colares. Quando veio para o Pará, todo o Maranhão já estava infestado pelo chupa-chupa. Tanto que a imprensa de lá, principalmente o jornal O Imparcial, já noticiava o aparecimento das luzes há meses.

Anteriormente às ocorrências registradas em Belém, como era o fenômeno?

Antes de termos os casos paraenses, e mesmo do chupa-chupa receber uma conotação tipicamente regional, ele era chamado lá no Maranhão de “luz do diabo”, “coisa” etc. A expressão “aparelho” é própria de Colares, mas quem inventou o termo “chupa-chupa” foram os moradores dos municípios de Santo Antonio do Imbituba e Vigia, próximos das ilhas e onde o fenômeno teve muita intensidade. Eu ouvi essa denominação pela primeira vez quando entrevistei residentes que foram atingidos pelas luzes na localidade de Vila Nova.

Quando você foi pautado para ir aos locais atingidos, você se deparou com algum fenômeno não explicado lá?

Não, e isso é interessante. Nada me aconteceu, mas sim a outros repórteres que também cobriram os fatos, como o Biamir Siqueira, que também trabalhava no O Estado do Pará. Na época, eu era repórter especial e depois passei a ser chefe de reportagem. Então ele me falou: “Carlos, você que anda com essas revistas e livros, precisa ser o que está acontecendo lá em Mosqueiro”. E isso me despertou a atenção.

Então, foi o Biamir Siqueira quem o levou a conhecer os casos do chupa-chupa?

Isso, mas foi antes da Operação Prato ter início. Era final de maio, início de junho de 1977. O José Ribamar dos Prazeres estava junto e foi o fotógrafo que fez as fotos que eu acho mais assustadoras. Qualquer arquivo da Ufologia Mundial que se preze deve ter suas imagens como ícones do assunto. Uma edição de O Estado do Pará já dava na época a manchete Eis o Chupa-Chupa, com fotos que o Ribamar tinha feito.

Quer dizer que algumas dessas fotografias que estamos habituados a ver publicadas são, na verdade, de Ribamar?

Sim, são de Ribamar e foram confiscadas pela Aeronáutica, que chegou a aparecer como dona das imagens em muitas reportagens. Eu testemunhei sua angústia na época, quando ele perdeu suas fotos. Ele lamentava e eu até brincava: “Ribamar, se tu tivesses vendido as fotos para as revistas norte- americanas especializadas no assunto, estavas rico”. Mas não teve jeito: o capitão [Na época] Uyrangê Hollanda foi à redação do jornal e exigiu que os filmes fossem entregues, alegando que eram questão de segurança nacional. Lamentavelmente, nosso chefe de redação entregou tudo. Era o jornalista Valmir Botelho do Oliveira, que hoje é o diretor e redator de O Liberal, onde trabalho atualmente.

Como foi sua primeira ida aos locais dos ataques, junto do Biamir Siqueira?

Ele e Ribamar apareceram em casa numa noite, às 23h00, num fusquinha de O Estado do Pará. Convidaram-me e fomos todos para a Ilha de Mosqueiro [A 60 km de Belém] e, depois, para a Baía do Sol, uns 6 km à frente. Lá já havia ufólogos estudando os casos. Inclusive, o chupa-chupa desencadeou uma onda de visita de ufólogos de todo Brasil e do exterior à região. Como se sabe, o Pará sempre teve ocorrência de luzes não identificadas, mas não na intensidade que a onda chupa-chupa demonstrou. Houve aparecimento de UFOs em Porto de Trombetas, Monte Alegre, Juruti, Itaituba, Alenquer, Carajás etc, todas localidades paraenses. Já conhecíamos relatos das décadas de 50 e 60, de pessoas que viam tais luzes. Em Carajás, onde há minas de ferro e até urânio, há muitas ocorrências.

Você acredita que os minérios atraíam os objetos voadores não identificados?

Creio que sim. Os moradores de Carajás falam muito em avistamento de objetos voadores não identificados. E isso em tempos pregressos ao fenômeno chupa-chupa.

Voltando à Baía do Sol, o que ocorreu lá em sua primeira viagem?

Bem, ficamos a madrugada inteira com a máquina fotográfica do Ribamar ligada, mas nessa primeira observação não vimos nada, apesar dos moradores do local já comentarem os casos abertamente.

A população acompanhava o trabalho jornalístico de vocês?

Sim, alguns acompanhavam. Outros se recolhiam em suas casas. Havia muita curiosidade, pois a visão do céu naquela região é deslumbrante. Na época, a Baía do Sol, Mosqueiro e Colares não tinham luz elétrica o tempo todo, apenas a fornecida por uma usina termoelétrica, a óleo, que era desligada às 22h00.

Havia clima de expectativa, medo ou pânico por parte da população?

Havia um clima de pavor, mesmo. As pessoas já estavam sendo atacadas há tempos. Em junho de 1977, quem quer que fosse para a beira dos rios da região acabava vendo alguma coisa. Eu gostaria que os militares que participaram da Operação Prato, que ainda estão vivos, viessem a público revelar o que viram.

Mas há militares ainda vivos?

Há sim, como o piloto que testemunhou um objeto sobre a Baía do Sol, aquele cujo helicóptero quase colidiu com um disco voador. Ele se chama Flávio e mora no centro de Belém, mas não tenho seu sobrenome.

O jornal que você trabalhava tinha uma equipe de plantão para cobrir os casos de ataque?

Sim, eu e o Biamir Siqueira estávamos sempre de plantão. Se acontecesse um caso, nós íamos ao local imediatamente. Tínhamos uma redação muito forte, muito grande, que permitia que designássemos repórteres para fazer matérias específicas, e eu fui um deles.

Como vocês ficavam sabendo que os fatos estavam acontecendo e aonde? A população avisava?

As pessoas ligavam da Ilha de Mosqueiro e até de Colares para a redação do jornal. O Ribamar e o Siqueira tinham publicado as primeiras matérias sobre essa questão, o que chamou a atenção dos moradores. Ambos eram repórteres policiais e cobriam crimes, os assaltos da cidade. À noite eles tinham um trabalho específico: pegavam o carro do jornal e iam às áreas dos ataques. Eles chegaram a ficar semanas lá.

Havia uma conotação policial nos casos de ataques do chupa-chupa, ou seja, eles podiam ser entendidos como crimes?

Exatamente. O Siqueira ia para os locais porque as pessoas estavam sendo agredidas pela luz. Havia uma forte conotação policial nos casos e, nas delegacias de Mosqueiro e Colares, eram feitos até boletins de ocorrência dos ataques. As pessoas iam de fato à polícia. Ora, se você é agredido fisicamente numa vila pequena, você não vai procurar o padre nem o prefeito, mais sim a polícia. Era comum que, nos dias seguintes aos ataques das luzes, onde quer que ocorressem, as pessoas pegassem um ônibus e fossem à delegacia mais próxima.

Você chegou a ver os boletins de ocorrência?

Cheguei a ver alguns, sim. Neles, as pessoas descreviam como eram atacadas. Uns diziam que vinham por uma estrada e, de repente, uma luz os paralisava e lhes “focava” um raio. As vítimas alegavam que corriam apavoradas, mas quase sempre caíam desmaiadas, sem se lembrar mais de nada. Outros também ficavam paralisados, viam as luzes e sentiam um formigamento pelo corpo, mas não podiam reagir. Quando o chupa-chupa ia embora, segundo os atacados, eles ficavam “lesos” [Expressão no Pará que significa atordoamento ou tontura].

Que idade tinham e que tipo de pessoas eram aquelas atacadas pelo chupa-chupa?

Tinha gente de todo tipo. Eu encontrei até um adolescente de 17 anos. Mas as pessoas atacadas tinham idade média de 30 anos. Algumas eram idosas.

Qual era sua impressão sobre esses casos?

Bem, eu tinha uma intuição. Eu olhava os mapas das áreas atingidas e associava os paralelos e meridianos com os casos. As imagens formavam figuras que atravessam todo o Estado do Maranhão, entravam no Pará por Viseu, passavam pela Baía do Sol e iam em direção as Guianas, na Planície Amazônica. Creio que os objetos voadores não identificados vistos na região eram pilotados por seres do espaço, que, de maneira inteligente, seguiam os meridianos e paralelos como uma forma de orientação em sua navegação. Isso me ocorreu na época, embora nunca tivesse estudado isso antes.

Quanto tempo você passou nas áreas atingidas pelo chupa-chupa?

Fui muitas vezes aos locais, sendo que, numa ocasião, fiquei em Colares por cinco dias e noites, em duas delas dormindo em cima do mercado da vila. O Ribamar ia comigo às vezes e muitas outras sozinho. Tanto que fez centenas de fotografias dos objetos. Ele levava rolos e mais rolos de filmes, e todos acabaram sendo confiscados pela Aeronáutica, centenas deles. O Biamir Siqueira também teve muitas experiências. Numa vez, ele e o Ribamar foram atacados pelas luzes numa estrada da Baía do Sol .

Algo assim chegou a acontecer com você?

Não, comigo não aconteceu nada, nem nas duas noites que passei em Colares. O estranho é que, onde eu estava, nada acontecia. Mas a alguns quilômetros dali, sim. Inclusive com o Ribamar, que tinha fotografado um UFO na Baía do Sol. Havia até uma competição entre os fotógrafos para ver quem conseguia mais imagens.

A Baía do Sol era o local preferido dos ETs?

Sim, a Baía do Sol era o point. De lá se vê, do outro lado do rio, a Ilha de Mosqueiro, e mais à frente está Colares. Curioso era que às vezes o chupa-chupa aparecia de um lado do rio e não do outro. Noutras vezes, era o contrário. Eram tantos os casos que as pessoas faziam fila para me dar entrevista, dizendo que tinham sido atingidas pelas luzes bem ali onde eu estava. As noites eram de pânico na cidade e se ouvia muito o barulho dos moradores batendo latas e soltando fogos. Mas eu não via nada...

Por que soltavam fogos e batiam latas?

Quando nós chegamos finalmente a Colares, os moradores nos diziam que estávamos pegando o fim da onda, os últimos instantes do fenômeno. De fato, nós não pegamos o auge do chupa-chupa porque ele se deslocou da Baía do Sol para Colares. As pessoas nos descreviam que passavam noites e dias correndo e se escondendo dos objetos. E para tentar afugentá-los, o prefeito pedia a todos que batessem latas e panelas. Ele mandava dar fogos de artifício e café forte para os moradores, para que não dormissem e repelissem os ataques. Ademais, bater latas e soltar fogos também servia para comunicar que as luzes estavam chegando, atingindo uma determinada casa etc. As pessoas já estavam vivendo isso há muito tempo. Até mesmo os animais eram afetados. Teve um casal atacado, que entrevistei, cujo cão ficou mudo e não latiu mais.

Mas o perigo era tão grande assim?

Era. As pessoas descreviam que os UFOs davam vôos rasantes de 30 m de altura sob as árvores, quase beirando as casas. No local a vegetação é primária, de árvores típicas da Amazônia, que chegam a ter 30 m de altura. São castanheiras, mognos, maçarandubas etc, e os objetos chegavam ao topo delas. Na Ilha de Colares, o maior vilarejo tinha uns 1.500 moradores, era um núcleo urbano mais próximo da beira do rio. Noutros lugares moravam umas 200 ou 300 famílias e nas regiões mais afastadas havia umas 10 a 20 casas aqui e ali. Eram todos pequenos núcleos dentro da mesma ilha, onde as luzes atacavam mais regularmente.

O fenômeno ocorria simultaneamente em toda a região?

Sim, ele aparecia dessa forma. Algumas luzes se deslocavam da Baía do Sol para Colares, da Vila Nova de Imbituba para Vigia, tudo na mesma noite. Havia casos de agressões ocorrendo ao mesmo tempo em várias localidades. Inclusive de naves grandes sendo vistas num vilarejo e, logo depois, atacando outro local. O Ribamar fez diversas fotos desses fenômenos, mas elas foram confiscadas.

Quantas vítimas você entrevistou na região?

Mais de 30 pessoas, principalmente entre as que foram atendidas e submetidas a tratamento pela doutora Wellaide Cecim, na Unidade Sanitária de Colares. Eu vi mais de 50 pessoas atacadas na ilha e umas 30 em Imbituba. Na Baía do Sol eu conheci mais cinco, inclusive o casal que me apontou o cachorro que ficou mudo.

O casal que teve o cão silenciado o procurou para relatar a experiência?

Não. O marido foi até a delegacia da Ilha de Mosqueiro para formular uma queixa, relatando que ele a esposa haviam sido atacados por uma luz e que seu cachorro – um vira-lata que servia de guia e tomava conta da casa – acabara ficando mudo. Eles descreveram que o animal era muito esperto e latia para qualquer estranho. Mas após o contato, o cachorro nunca mais latiu. Eu fui até o local para entrevistar o casal, que me relatou exatamente o mesmo que Biamir Siqueira tinha vivido dentro do carro, o fenômeno da luz translúcida . O marido contou que estava com a mulher num barranco quando, de repente, ficou tudo muito claro. Era um feixe de luz dirigida para cima do barraco. Ela atravessava tudo e o homem disse que parecia ter ficado dia. Mais tarde, naquela mesma noite, eu fui com o general Alfredo Moacyr de Mendonça Uchôa e uma equipe do programa Globo Repórter, que estava na área, fazer uma vigília em Colares. Mas os resultados foram frustrantes: nada vimos além de luzes de embarcações passando ao longe. Ficamos lá das 24h00 às 04h00 e nada.

Na vila de Penhalonga um senhor descreveu à Revista UFO um fenômeno semelhante ao chupa-chupa, que denominou de “satélite”. Mas o tal satélite fazia movimentos à baixa altitude e corria atrás das pessoas...

Na época, eu ouvi essa denominação poucas vezes. Só depois vim saber que quem fez as pessoas imaginarem que o chupa-chupa era um tipo de satélite foram os militares da Aeronáutica que operaram na área. Primeiro sob o comando do sargento Nascimento, que fez um relatório simplório inconclusivo. Depois foram os militares da Operação Prato, que tentaram até ridicularizar aquelas pessoas humildes e enfiavam idéias tolas em suas cabeças – como achar que as luzes eram satélites.

Houve, então, um relatório anterior ao produzido pela Operação Prato?

Sim, houve e foi realizado por determinação da direção do I Comando Aéreo Regional (COMAR I), também em 1977 e antes da Operação Prato. Seu responsável foi um tal sargento Nascimento, mas o relatório foi considerado muito pobre e insuficiente. A decisão de fazê-lo, no entanto, partiu do brigadeiro Protásio Lopes de Oliveira, então comandante do COMAR I. Ele era um homem gentilíssimo, de grande vivacidade intelectual e muito humilde.

Qual era a diferença entre esse relatório e o emitido pela Operação Prato?

As missões não tinham o mesmo critério, tanto que o primeiro relatório nem teve uma comissão de pesquisa efetiva, ou sequer um nome. Já a Operação Prato teve critérios estabelecidos pelo capitão Uyrangê Hollanda e deu frutos, como todos sabemos, apesar dele ter começado seu trabalho como um cético quando a natureza extraordinária do chupa-chupa.

Você acredita que o capitão Hollanda subestimou o fenômeno que ocorria no Pará?

Sim, creio que ele o subestimou e tentou caracterizá-lo como uma forma de histeria coletiva, manifestada em pessoas sem nenhum nível cultural, ignorantes. Mas o primeiro relatório foi bem pior e até preconceituoso. Porque as pessoas entrevistadas por Nascimento eram pobres, humildes e tratadas com desprezo. Inclusive, em seu relatório, Nascimento definiu duas pessoas entrevistadas por ele como tendo “fortes traços mongolóides e de cretinismo”. O brigadeiro Protásio não gostou do resultado.

O que aconteceu, então?

Quando o primeiro relatório caiu nas mãos do brigadeiro, ele decidiu executar um trabalho mais sério e profissional, e encaminhou uma equipe que acreditava em inteligências superiores para ir às áreas atingidas investigar os casos. Essa equipe era a Operação Prato e levou em consideração a sinceridade com que as testemunhas e vítimas descreviam os fenômenos. Logo de cara, Hollanda compreendeu que havia algo sério acontecendo, pois pessoas de localidades diferentes, que não se conheciam, morando 40 ou 50 km entre si e que nunca saíram do seu vilarejo – a não ser para pescar e plantar –, narravam as mesmas histórias, com semelhanças incríveis. A impressão que eu tive quando vi seus depoimentos é que aquelas pessoas não foram vítimas de alucinação.

Não havia na Ufologia Brasileira a informação de uma investigação prévia do chupa-chupa, antes da Operação Prato?

Sim, houve. Mas sem grandes conseqüências e sem a aprovação da direção do COMAR I. Houve um direcionamento do sargento Nascimento para que a origem dos UFOs fosse vista pelos moradores como infiltrações comunistas e de guerrilheiros. Isso servia para desviar a atenção de todos para a real natureza dos acontecimentos. Creio que o Hollanda, quando assumiu a Operação Prato, também tinha instruções para dar esse tratamento aos casos. Acho que essa era uma determinação direta do comando da Aeronáutica, em Brasília, e não tanto do brigadeiro Protásio. Os militares queriam aproveitar a conotação dada pela extinta revista Manchete, na época, que chegou a publicar que os russos estavam desenvolvendo uma nova arma de guerra que poderia afetar a hegemonia norte-americana. A idéia era empregar isso como origem para o chupa-chupa. Eu nunca li essa matéria na Manchete, mas isso consta no relatório do capitão Uyrangê Hollanda.

O Hollanda foi aos locais tentar explicar às pessoas que os ataques eram uma invasão russa ou norte-americana?

Sim. Não diretamente ele, mas seus subordinados. E vou dizer mais: eu não estava em Colares no dia, mas soube logo após que os militares da Aeronáutica levaram uma máquina de projeção e passaram um filme da descida do homem a Lua, como uma forma de induzir a população a crer que se tratasse da mesma coisa. Isso nunca foi publicado.

Qual foi a reação das pessoas diante disso?

Houve uma platéia grande e até mesmo o padre de Colares, Alfredo de Lá Ó, um norte-americano estudioso de Ufologia, tentou convencer as pessoas que aquilo que o Hollanda e seus homens estavam mostrando era verdade. Todos queriam convencer os moradores da ilha a crerem que estavam vendo uma invenção do próprio homem, e não de uma coisa do espaço exterior. A idéia da invasão russa ocorreu porque, em 1977, vivíamos a época da ditadura e de caça a comunistas. Estávamos numa fase intensa de repressão, inclusive no Pará, com a Guerrilha do Araguaia. Assim, caso a idéia de invasão norte-americana não funcionasse, tinha a da invasão russa.

A intenção de Hollanda de acobertar o fenômeno com essas estratégias perdurou até o final da Operação Prato?

Não, ele não resistiu aos depoimentos das pessoas, ao medo e ao pavor que demonstravam, coisas que superavam qualquer tipo de lavagem cerebral militar. Mesmo assim, eles tentavam estratégias também com os jornalistas e fotógrafos. Uma vez, estando em vigília em Colares, sentíamos reflexos de alguma luz em nossas costas. Eram os militares disparando flashes em nós. Talvez para nos fotografar, talvez para nos intimidar.

Você considerou isso como uma forma de repressão?

Sim, mas não apenas isso. Uma vez os militares nos procuraram quando estávamos para sair da ilha, para tentar nos intimidar. Estávamos comendo um peixe lá na beira do rio e o Hollanda sentou numa cadeira e me disse: “Você é o Carlos Mendes. Eu te conheço das manifestações esquerdistas”. Ora, como jornalista, eu cobria em Belém muitas manifestações, quando pessoas foram presas, torturadas etc. E os militares acompanhavam nossos passos como uma forma de tentar ter controle do que publicaríamos.

Você acha que o Hollanda fazia parte da política de repressão?

Isso eu não sei, mas ele era do Serviço Nacional de Informações, o antigo SNI, que era quem fazia as torturas e tudo mais. E era também ligado ao Centro de Informações e Segurança da Aeronáutica (CISA) [Uma espécie de serviço de espionagem interno na instituição]. As pessoas falavam na época que o Hollanda não tinha participação direta nas torturas, mas várias que foram torturadas o reconheceram como um dos agentes que colhiam informações sobre supostos subversivos. A imprensa tinha medo dele, pavor.

Foi nesse clima de medo que se deu o confisco das fotografias do Ribamar?

Creio que sim. O que eu ouvi falar é que ele esteve nas redações de O Liberal e da Província do Pará também, mas nelas ele não encontrou muita coisa, porque suas equipes não conseguiram fotografar o chupa-chupa. Esses jornais não tinham uma missão específica de averiguar esses fatos, enquanto O Estado do Pará, que era o meu jornal, sim. Eu tinha motorista, fotógrafo, combustível e dinheiro a minha disposição. O Ribamar e o Siqueira, como repórteres que já trabalhavam juntos cobrindo área policial, estando todo dia em ação, largavam tudo à noite e iam para as áreas atingidas. Faziam vigília na Baía do Sol, Mosqueiro, Colares etc, e foi assim que eles conseguiram fotografar os fenômenos.

Chegou a se levar a sério que os UFOs poderiam ser realmente naves de alguma outra nação? Havia realmente esse temor?

Não, não havia. Isso foi artificialmente plantado. Por isso que eu digo que essa orientação veio de Brasília, do Estado Maior das Forças Armadas (EMFA). Como se sabe, a Amazônia sempre foi vulnerável às invasões estrangeiras, de maneira que a justificativa de uma experiência russa na área poderia dar certo.

Após as desculpas russas e norte-americanas, dos confiscos e das ameaças, você continuou indo aos locais atingidos, depois do encerramento da Operação Prato?

Depois que ela se encerrou, eu me afastei. Cheguei a voltar algumas vezes a Colares, mas para me divertir e conversar com as pessoas com que fiz grandes amizades, que ainda conservo. Procuro saber como estão hoje as vítimas do chupa- chupa e fico contente que algumas continuem vivas. O Newton Cardoso, por exemplo, que teve uma experiência marcante em Colares. Uma vez ele achou uma sonda meteorológica e me ligou falando que tinha achado um disco voador...

Em dezembro de 1977, quando foi encerrada, já eram conhecidos os resultados da Operação Prato?

Não. A operação foi mantida sob rigoroso sigilo, inclusive pela imprensa do Pará. Não era para vazar nada. Somente depois é que alguns fatos foram aos poucos surgindo e nos dando uma idéia da dimensão dos acontecimentos e do envolvimento militar.

Se fala muito que, quando o chupa-chupa estava em sua plenitude, as pessoas tinham pavor de pescar e plantar, que não saíam de casa e que o fenômeno estava prejudicando sua vida. É verdade?

Sim, prejudicou muito, inclusive a produção de peixe na região da Vigia e da Ilha do Marajó, que são riquíssimas em pescado e abastecem o Pará e as exportações. Houve uma grande queda na produção por causa do medo das luzes que atacavam. Ninguém gostava de sair para o rio e se arriscar.

Você conhece casos de pescadores atingidos?

Conheço várias histórias. Na praia do Cajueiro, por exemplo, numa certa noite, três pescadores saíam para pescar e tiveram uma surpresa. Eles acabaram de entrar no barco, ajeitaram sua rede e estavam para atravessar toda a Baía de Marajó, para pescar numa área muito piscosa chamada Canal do Meio, quando foram surpreendidos pela luz e voltaram correndo para suas casas...

Você avalia que, hoje, o fenômeno diminuiu em intensidade e gravidade ou permanece a mesma coisa?

Em relação ao Estado do Pará as manifestações continuam, mas não na intensidade daquela época, que foi absurda e única em todo o mundo. Pelo menos, até onde sei, nunca se teve conhecimento de que durante um certo tempo tantas luzes investissem contra as pessoas, agredindo-as. Hoje há mais espaçamento entre os relatos que nos chegam, mas os casos continuam ocorrendo. Há pouco tempo, o Ubiratan Pinon Frias [Piloto civil que esteve envolvido com a Operação Prato], me comunicou casos em Alenquer e Oriximiná, como o aparecimento de luzes constantes. Nessas localidades, os agricultores e pescadores estão apavorados com a manifestação dos objetos, mas ainda não há registros de ataques. Nada que se compare ao fenômeno chupa-chupa dos anos 70 e 80.

Carlos, você falou que a vida das pessoas atacadas pelo chupa-chupa acabou se deteriorando. Isso ocorreu a muita gente, que ainda não se recuperou e tem saúde física e emocional abalada. Sabemos que a vida do capitão Uyrangê Hollanda também foi comprometida por ele ter se envolvido com o fenômeno. A de seus colegas de farda, que também serviram a Operação Prato, idem. O que você pensa disso?

Nessa outra fase da vida do Hollanda, meus contatos com ele foram muito escassos para eu poder avaliar. Mas enquanto minha convivência com ele e outros militares da operação durou, ainda em Belém, isso podia ser constatado. Muita gente sofre até hoje de depressão, cansaço injustificado, pouca imunidade a doenças etc, após ter sido atacada pelo chupa-chupa [A doutora Wellaide Cecim Carvalho confirma isso e descreve a situação na entrevista que concedeu à Revista UFO, que será publicada na próxima edição].

Você e o Hollanda chegaram a ter algum convívio social?

Não, não tivemos. Conheci o Hollanda na redação de O Estado do Pará e nas manifestações, onde ele geralmente estava em veículos com chapa fria, fotografando protestos nas ruas de Belém. Naquela época, como jornalistas, éramos todos vistos como perigosos e subversivos. Uma vez o Hollanda me perguntou se eu era comunista e qual era a minha ideologia. Eu lhe disse: “Olha, capitão, comunista eu não sou. Porque, se eu fosse, estaria rico. Não conheço nenhum comunista, inclusive aqui no Pará, que seja pobre. Eles são fazendeiros, pecuaristas, donos de grandes estabelecimentos etc”. Ele propôs que quebrássemos o gelo e passássemos a nos conhecermos melhor. Disse-lhe que, da minha parte, não havia problema. Se eles não interferissem em meu trabalho, eu não interferiria no dele.

O que você sabe sobre a vida posterior de Hollanda, após a Operação Prato?

Tive contato com alguns agentes do serviço de informação da Aeronáutica, que me disseram que ele começou a beber, se separou da esposa, teve brigas com familiares e agressões, em parte devido ao seu próprio comportamento, pois não se relacionava bem com os colegas de trabalho. No COMAR I ele era visto como um maluco, uma pessoa sem muita credibilidade. Mas essa não foi a impressão que eu tive ao conversar com o brigadeiro Protásio, que tinha grande admiração por Hollanda e o considerava um militar altamente disciplinado, competente, homem de extrema inteligência e confiança.

Foi essa confiança que o brigadeiro Protásio tinha em Hollanda que fez com que o chamasse para coordenar a Operação Prato?

Sim, e o brigadeiro me disse que ele tinha a preocupação de perguntar ao Hollanda se tinha visto alguma coisa na mata. Quando ele respondia que não, no começo da operação, o brigadeiro falava: “Então volte para lá. Alguma coisa anormal está acontecendo em Colares e você precisa descobrir”.

Quando a operação foi encerrada, Hollanda ficou muito frustrado, pois ela estava dando excelentes resultados, inclusive contatos com as naves. De quem ou de onde você acha que a ordem de encerrar a missão militar partiu?

A ordem veio de Brasília. Eu conhecia bem o brigadeiro Protásio e ele confiava no Hollanda. Ele também acreditava em vida inteligente fora da Terra, que seres superiores existiam etc. Não creio que ele fosse suspender a operação. Se o Hollanda acabou por confirmar estar testemunhando UFOs e o Protásio admitia a existência de inteligências superiores, isso certamente aguçaria ainda mais sua curiosidade e determinação em manter a Operação Prato ativa. Não havia sentido que ela fosse encerrada – exceto, claro, tendo a ordem partido de Brasília. O EMFA estava sendo continuamente informado do que se passava na selva, desde a primeira missão com o sargento Nascimento, e decidiu encerrar o trabalho de Hollanda.

Considerando a gravidade dos fatos que ocorriam com os militares da Operação Prato, e estando o brigadeiro Protásio tão próximo das áreas atingidas, você acredita que ele fora aos locais para ver e também tentar contatar o fenômeno?

Eu desconheço, pois ele nunca tratou do assunto desta forma. Agora, se ele guardou algum segredo com relação a isso, deve estar nos arquivos da Aeronáutica. Nesta pergunta você levanta o x da questão. Ora, como é que o chefe do homem que está comandando a operação, que recebe dele o relato de que na Baía do Sol seus agentes tiveram contato com os seres extraterrestres, iria resistir à tentação de ir pessoalmente aos locais de avistamento para ter o seu próprio?

Temos informações seguras de que não somente o brigadeiro Protásio, mas uma numerosa equipe de militares de Brasília estiveram em Colares e Mosqueiro, para todos verem com seus próprios olhos o que estava se passando.

Eu soube em Colares, depois que a Operação Prato foi encerrada, que várias outras equipes de militares foram à ilha. É por isso que acredito que é importante que a Aeronáutica venha a público revelar suas investigações e informar o que Hollanda apurou. Mas temo que muita coisa que se produziu aqui no Pará – documentos, fotos e filmes – já nem esteja mais no Brasil. Já ouvi o boato, inclusive partindo de um militar da Aeronáutica, de que o material está em poder do governo norte-americano. É sabido que eles vinham ao Brasil constantemente e iam com nossos militares a Mosqueiro, Colares e até Vigia. Há um relatório sobre essa atividade conjunta, mas ele é guardado a sete chaves.

Carlos, a Ufologia Brasileira deve muito a você, pois foi quem acendeu o estopim que resultou no sucesso da campanha UFOs: Liberdade de Informação Já. E o estopim foi a entrevista que você fez com a doutora Wellaide Cecim Carvalho, em janeiro passado, na qual ela declarou ter sofrido pressão dos militares para que mentisse sobre os fatos. Essa entrevista nos proporcionou a oportunidade de intensificarmos a campanha contra o sigilo aos UFOs, que resultou no convite da Aeronáutica à Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU) para nossa visita a Brasília, em 20 de maio. Como você se sente sabendo que teve uma atuação tão decisiva para o processo de abertura ufológica no país?

Ah, até hoje algo “mexe” comigo quando eu vejo vocês na televisão, como o programa Fantástico fazendo a cobertura do encontro dos ufólogos com os militares, e agora, em agosto, uma dramatização da vida do coronel Uyrangê Hollanda e a Operação Prato indo ao ar no programa Linha Direta. Isso me deixa reconfortado, embora frustrado por não ter alcançado meu objetivo jornalístico, que era testemunhar aquilo que tantas pessoas viram. Ainda pretendo retomar as investigações para saber, 28 anos depois dos fatos, como as vítimas estão, o que mudou em suas vidas etc. Tem gente lá em Colares que diz ainda sonhar com o chupa-chupa...

Tendo acompanhado os fatos na época, analisado tudo e tido todo esse tempo para refletir, qual sua opinião hoje sobre o que eram aquelas luzes?

Eu continuo com o mesmo sentimento intrigante que me levou a Colares naquela época, há 28 anos. Quero saber de fato o que aconteceu com aquelas pessoas, qual o objetivo dessa onda de luzes, o que elas eram e que tipo de pesquisa faziam com as pessoas. Tem um trecho do relatório do sargento Nascimento em que ele diz que “eram luzes guiadas por objetos inteligentes”. Essa foi a única coisa que ele disse ali de proveitoso. Creio nisso certamente: as luzes eram inteligentemente controladas.

Eram naves, eram seres?

Aquelas luzes não têm uma explicação comum. Ninguém até hoje soube compreender o que foi o chupa-chupa, um fenômeno único na Ufologia Mundial e que mexeu com o sentimento de pescadores e lavradores muito humildes de comunidades ribeirinhas da Amazônia, que até hoje continua na memória das pessoas. Elas foram aterrorizadas pelos objetos voadores não identificados e tinham até um sentimento de culpa, pois eram extremamente religiosas e achavam que tinham sido “escolhidas”. Muitas achavam que estavam pagando algum pecado que cometeram e que estariam recebendo uma espécie de vingança, uma punição divina. Enfim, para muita gente, as luzes eram um castigo de Deus. Mas, na verdade, as pessoas estavam servindo de cobaias de algo ou alguém.

Por favor, dê uma mensagem final para os leitores da Revista UFO?

Eu acho que é importante perseverar na busca de respostas para esse fenômeno. Nossa ciência, mesmo com todo avanço que hoje tem, não reconhece a existência de seres extraterrestres. Isso deve mudar. Mas a Ufologia precisa entender o que eram aquelas luzes que tiveram aqui. São da própria Terra, de fora dela, são guiadas por inteligências superiores que habitam o interior do planeta? Enfim, precisamos saber o que eram e só uma pesquisa séria nos dará as resposta

 

Conheça este caso mais detalhadamente acessando nosso menu abaixo:

O Caso da Ilha do Caranguejo
O Caso da Ilha do Caranguejo é o marco inicial de uma onda de ações nocivas por parte de OVNIs, no Pará e Maranhão.

O Início do Fenômeno
O misterioso fenômeno Chupa-Chupa começou de forma mais intensa em meados de julho de 1977.

A Fase Gurupi
Na Fase Gurupi, os casos concentram-se na região do Rio Gurupi, divisa entre Maranhão e Pará. São Vicente Ferrer, Pinheiro e São Bento concentraram a maioria dos casos.

A Fase da Baia do Sol
Com a evolução do Fenômeno, as coisas tornaram-se mais calmas no Maranhão e o foco das ocorrências passou a ser o Norte do Pará, na chamada Fase da Baía do Sol.

A Operação Prato
Com a intensificação dos casos, a Força Aérea Brasileira iniciou uma operação para investigar as estranhas ocorrências.

Coronel Hollanda
Saiba mais sobre o Coronel Hollanda, comandante da Operação Prato.

Documentos Oficiais
Documentos oficiais, outrora secretos, da Operação Prato agora já liberados.

Fotografias
Conjunto de algumas das fotografias dos objetos envolvidos nos ataques.

O Chupa-Chupa - Padrões e Características
Padrões e características notáveis envolvendo o Chupa-Chupa.

Testemunhos
Conjunto de testemunhos envolvendo o Chupa-chupa.

Reportagens de Jornal
Coletânea de reportagens de jornais de época.

Entrevista com Daniel Rebisso Giese
Daniel Rebisso Giese - Boliviano de nascimento, é biomédico e funcionário do Governo do Pará, na área da saúde, o que lhe propiciou encontrar-se várias vezes, como profissional, com dezenas de testemunhas e vítimas de ocorrências ufológicas, algumas com quadros clínicos até graves. É autor do livro “Vampiros Extraterrestres na Amazônia” edição do próprio autor, Belém (PA) 1991. Conferencista e palestrante de inúmeros cursos e congressos de Ufologia, Daniel foi colaborador dos jornais O Estado do Paraná e Diário do Pará. Possui artigos publicados nas revistas UFO, Planeta, e Cuarta Dimension (Argentina).

Entrevista com a Dra. Wellaide Cescim de Carvalho
Wellaide Cecim Carvalho - médica sanitarista e diretora do Departamento de Programas Espaciais da Secretaria Municipal de Saúde de Belém (PA), foi uma das raras profissionais da área de saúde a ter um contato direto com as vítimas de radiações emitidas por UFOs. Wellaide teve uma oportunidade ímpar durante sua permanência na Unidade Sanitária de Colares, quando assumia as responsabilidades de saúde da ilha.

Entrevista com o Coronel Uyrangê Hollanda
Uyrangê Bolívar Soares Nogueira de Hollanda Lima - Este é o nome do primeiro oficial de nossas forças armadas a vir a público falar sobre as atividades de pesquisas ufológicas desenvolvidas secretamente no Brasil. Com nome de guerra Hollanda, chegando à patente de coronel reformado da Força Aérea Brasileira (FAB), foi ele quem comandou a famosa e polêmica Operação Prato, realizada na Amazônia entre setembro e dezembro de 1977. Foi ele quem estruturou, organizou e colheu os espantosos resultados desse que foi o único projeto do gênero de que se têm notícias em nosso país.

Entrevista com o Jornalista Carlos Mendes
Carlos Mendes - Repórter do jornal O Liberal, de Belém, que cobriu o fenômeno Chupa-chupa.

Entrevista com o piloto Ubiratan Pinón Frias
Ubiratan Pinon Frias, piloto comercial e amigo de Hollanda. Participou da Operação Prato.

Os Anos Seguintes
Embora a grande onda ufológica relacionada ao chupa-chupa tenha ocorrido na segunda metade de 1977 e começo de 1978, inúmeros casos ocorreram após este período. Embora a Operação Prato tenha sido encerrada prematuramente, os militares continuaram investigando casos na região durante o ano seguinte. Além disso, inúmeros fatos posteriores chamam a atenção.


Comentários (8)

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YANA SUELEM (monte alegre PARÁ, Brazil) diz...
ACHEI QUE ESSA ENTREVISTA NUNCA FOSSE AO PUBLICO, POIS TIVE A HONRAR DE PARTICIPAR ESTA ENTREVISTA CM SR PINÓN , HA ALGUNS ANOS TRABALHEI NO JORNAL TRIBUNA DA CALHA NORTE, DO SR GENIVAL... E REALMENTE IMPRESSIONANTE ESSA ENTREVISTA, LEMBRO COMO SE FOSSE HOJE EM UM DIA DE DOMINGO,PASSAMOS A MANHA LHE ENTREVISTANDO NO ESCRITÓRIO DO JORNAL ! UM PRESENTE QUE O MESMO NOS DEIXOU ANTES DE PARTI DESTE MUNDO! SUA MEMORIA SERA SEMPRE LEMBRA E SUAS HISTORIAS TAMBÉM !
4 May 2017 16.21
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Francisco Valdir de Lima (Natal, Brazil) diz...
Olá, boa tarde!!!!! Ouvindo as explicações dadas pelo eminente pesquisador, Sr. Carlos machado, numa rangout realizada a poucos dias, dizendo que nesses ataques o sangue das vítimas, tem as hemácias retiradas ( há relatos que elas seriam compactadas e aglutinadas), eu fiquei imaginando que, quem faz isso (ETs????) parece que usa um processo elétrico magnético para esse fim, onde o, sangue seria drenado e uma vez que as hemácias contém ferro, então, esse fator poderia facilitar ou ... Leia mais
27 March 2017 15.21
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Fernando Augusto da S. Nascime (Cambé - PR, Brazil) diz...
Eu estava morando em Belém do Pará, na época da Operação Prato, meu pai trabalhava no Ministério da Aeronáutica. Em 1977, eu avistei o que o povo chamava de "chupa-chupa". Todos os anos, quando posso, vou à colares entrevistar alguns amigos que fiz por lá.
22 November 2016 07.38
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carlos monteiro (ananindeua - pará, Brazil) diz...
sou paraense e creio que tudo aconteceu de fato e continua acontecendo nos rios da amazonia ,o cabloco pescador some e falam que foi a cobra grande sera?
20 September 2016 23.22
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hiale (Juazeiro) diz...
Corajosa, independente, culta e sábia...não foi à toa que a Dra. foi escolhida por "eles" para contar a História.
9 August 2016 22.07
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Referências:

- Livros
  • PRATT, Bob. Perigo Alienígena no Brasil. Tradução de Marcos Malvezzi Leal. Campo Grande: CBPDV, 2003.
  • PETIT, Marco Antonio. UFOs: Arquivo Confidencial. Campo Grande: CBPDV, 2007
  • RANGEL, Mário. Sequestros Alienígenas. Campo Grande: CBPDV, 2007

 


- Boletins
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- Artigos de Revistas
  • GIESE, Daniel Rebisso. O Fenômeno "Chupa-chupa", na Amazônia. Revista UFO, Campo Grande, nº 7, p.13-14, abr/jun 1989.
  • ATHAYDE, Reginaldo. Extraterrestres atacam e matam no nordeste. Revista UFO, Campo Grande, nº 7, p.7-11, abr/jun 1989.
  • CPDV. Fotos de OVNIs da Força Aérea Brasileira (FAB). Ufologia Nacional e Internacional, Campo Grande, nº 3, p. 10-11, julho/agosto 1985.
  • GIESE, Daniel Rebisso. Observações ufológicas no Litoral Paraense. Ufologia Nacional e Internacional, Campo Grande, nº 3, p. 11-12, julho/agosto 1985.
  • GIESE, Daniel. O Fenômeno "Chupa-Chupa": OVNIs atemorizam o estado do Pará. Ufologia Nacional e Internacional, Campo Grande, nº 5, p. 09-15, nov/dez 1985.
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  • EQUIPE UFO. Dossiê Amazônia: Continua a busca de informações sobre as ações militares na região. Revista UFO, Campo Grande, nº 115, p. 26-35, outubro de 2005.
  • EQUIPE UFO. O Impressionante Depoimento da Médica que Atendeu as Vítimas do Chupa-chupa. Revista UFO, Campo Grande, nº 116, p. 20-29, novembro de 2005.
  • CHAVES, Pepe. Como as assombrações da Amazônia se tornaram as assombrações de um homem: Coronel Uyrange Hollanda. Revista UFO, Campo Grande, nº 116, p. 30-36, novembro de 2005.
  • PETIT, M. A. Dossiê Amazônia: O ultimo depoimento de Uyrangê Hollanda fornece inspiração para reflexões. Revista UFO, Campo Grande, nº 117, p. 14-20, dezembro de 2005.
  • ATHAYDE, Reginaldo. Os ataques do chupa-chupa começaram no Ceará. Revista UFO, Campo Grande, nº 117, p. 22-23, dezembro de 2005.
  • GEVAERD, A. J. Não cedi às pressões dos militares. Revista UFO, Campo Grande, nº 117, p. 24-31, dezembro de 2005.

 


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