
O Caso Brunelli-Porchietto
O incidente Brunelli-Porchietto, ocorrido na Argentina em 1972, é um emblemático caso ufológico de “ganho de tempo” e possível teleportação, onde dois homens percorreram 185 km em apenas uma hora com consumo reduzido de combustível e sequelas físicas intrigantes, assemelhando-se a outros relatos históricos de violação das leis do espaço-tempo.
Neste artigo:
Introdução
No universo das investigações ufológicas, além dos tradicionais relatos de luzes estranhas ou objetos não identificados no céu, existem episódios que desafiam não apenas a explicação técnica, mas também a compreensão convencional do tempo e do espaço. Um desses episódios, é conhecido como o “Incidente Brunelli – Porchietto” — um caso argentino que mistura observação enigmática com alterações percebidas no tempo e no comportamento físico dos envolvidos.
O caso foi analisado em profundidade por um pesquisador Oscar Galindez, tendo por base entrevistas diretas realizadas com os protagonistas e levantamentos posteriores. Trata-se de uma experiência vivenciada por dois homens cultos e de perfil íntegro — o professor Atilio Brunelli, de 55 anos, e o aposentado industrial Severino Porchietto, de 61 .
Na juventude, o protagonistas deste caso fizeram parte de um conjunto musical. Na noite de 15 de julho de 1972, eles participaram de uma reunião de amigos, para recordar e comemorar aquele período artístico. Essa reunião ocorreu na cidade de Balneária. Como eles moravam na cidade de Córdoba, eles pegaram a estrada a bordo de um automóvel Ford Falcon, modelo 1968, de propriedade de Porchietto.
O evento ocorreu no Club Atlético Independiente Unión Cultural de Balnearia, e contou com a participação de 1.500 pessoas. Ali ambos foram homenageados, o que demonstra o elevado respeito que contavam por parte de amigos e conhecidos.
Por volta de 2 horas da manhã, eles começaram a se despedir dos amigos e por volta de 2h30 da madrugada, já em 16 de julho, eles iniciaram a viagem de retorno para Córdoba.
Eles abasteceram o veículo e seguiram viagem a uma velocidade que variava entre 80 e 100 km/h. O Sr. Porchietto estava dirigindo e nenhum deles havia ingerido bebidas alcóolicas naquela noite.

O professor Atilio Brunelli, de 55 anos, e o aposentado industrial Severino Porchietto, de 61, protagonistas do caso.
Por volta das 3h10 da manhã, três ou quatro minutos após ultrapassarem a cidade de Arroyito, foram surpreendidos por um tremendo clarão, de luz branca intensa, que iluminou o ambiente com luminosidade semelhante à de um dia claro — algo totalmente inesperado em uma noite que era descrita como completamente estrelada e sem nuvens.
Imediatamente após esse clarão, Brunelli notou a presença de uma forma escura no céu, que não pôde ser enquadrada com precisão devido ao teto do automóvel. . Ele não deu importância ao fato (que, a princípio, pensou ser uma nuvem), acompanhando a observação com a exclamação: “Tempestade!“.
Instantes depois, observaram no lado esquerdo do caminho — a cerca de 50 metros da estrada e sobre um terreno completamente plano — uma fileira de luzes retangulares que atribuíram a um comboio ferroviário parado. Mesmo assim, para eles, aquilo não se assemelhava a um trem comum; faltavam muitos elementos que justificassem essa identificação.
O Sr. Porchietto confessa que não deu maior atenção ao “trem”, embora se lembre perfeitamente das características das luzes. O Sr. Brunelli, por outro lado, foi virando o rosto à medida que a imagem era ultrapassada pelo veículo, embora admita que fez a observação com um ar de natural despreocupação e o avistamento durou cerca de 10 segundos.
Perdido de vista o “comboio”, a atenção do Sr. Brunelli centrou-se em olhar incessantemente para o céu a fim de localizar a tempestade. Não viu nuvens que confirmassem seu pressentimento. A noite estava limpa e o céu estrelado.

Reconstituição do avistamento do estranho comboio ao lado da estrada.
Poucos minutos depois, perceberam que se aproximavam de uma povoação que — pelas luzes — pensaram tratar-se de Río Primero, embora aquela circunstância lhes tenha causado estranheza, pois não haviam passado por outras localidades não menos importantes, como Tránsito e Santiago Temple. Subitamente… Depararam-se com uma curva para a esquerda que — evidentemente — não correspondia às características do local. A surpresa foi recíproca, pois — conhecendo perfeitamente a rota — não esperavam aquele desvio.
Continuaram avançando, comprovando que se tratava da localidade de Montecristo, situada 25 km depois de Río Primero. Além do espanto momentâneo, não deram importância posterior ao fato, pois pensaram que a própria natureza da viagem noturna lhes havia criado a impressão de um itinerário muito mais curto. Alegraram-se por se encontrarem nas proximidades de Córdoba.
Eles concluíram o trajeto, chegando em Córdoba. Porchietto deixou Brunelli em casa e depois seguiu para sua própria casa, situada a dois quarteirões dali. Ao entrar, ele olhou o relógio e viu que marcavam 3h30 da madrugada. Porchietto, que também olhou o relógio, percebeu que eram 3h35 da madrugada.
Normalmente, o trajeto de Balnearia a Córdoba, de aproximadamente 185 km, demandaria cerca de duas horas ou mais de viagem. Eles haviam feito o trajeto em uma hora, trafegando a velocidades entre 80 e 100 Km/h. Isso sugeria uma desconcertante redução no tempo gasto para percorrer uma distância que jamais poderia ser completada tão rapidamente em condições normais.
Essa discrepância não passou despercebida. A investigação posterior considerou que uma lacuna de memória de aproximadamente 81 km parecia existir entre os pontos observados na rota — ou seja, uma porção do caminho que nenhum dos dois recordava ter atravessado conscientemente.
Efeitos fisiológicos
Normalmente, quando encontros ufológicos acontecem e existe alguma discrepância de viagem, ela se caracteriza por um período de tempo perdido. Um período, em que a pessoa não lembra o que ocorreu. Ela lembra-se de ter visto uma nave iluminada e no instante seguinte estar no mesmo local, ou em outro, mas uma ou várias horas simplesmente desapareceram de sua memória.
Casos como este, em que existe um ganho temporal, ou seja, uma viagem sendo mais curta do que deveria, são bem mais raros.
Os efeitos do episódio não se limitaram à mera percepção de um fenômeno estranho. Ambos relataram sentir uma estranha euforia quando chegaram a Córdoba.
Ambos não se sentiram cansados da viagem. Porchietto acordou por volta das 8h da manhã e contou a experiência para seus familiares.
Naquela manhã, o filho de Porchietto faria uma viagem para Río Cuarto. Ao verificar a quantidade de gasolina que tinha, notou que o tanque (cuja capacidade é de 65 litros) estava meio cheio. Ele perguntou ao pai se ele havia reabastecido após o retorno de Balnearia, ao que —obviamente— o senhor Porchietto negou. Assombrado pela afirmação do filho, apressou-se em confirmar a realidade do que foi dito. De fato, o veículo só havia consumido 12,5 litros, quando consumiria 25 litros nesse trajeto.
Por vários dias seguintes, Brunelli relatou uma sensação de formigamento localizada na região lombar direita, de forma recorrente e com uma descrição quase circular precisa, em uma área de 1,5 cm. A área ficava completamente insensibilizada. Após cerca de 2 minutos, voltava a sentir um formigamento crescente, até recuperar sua sensibilidade natural. Estas manifestações repetiram-se por um período de 4 dias, à cerca de 4 ou 5 vezes por dia. Esse efeito foi relatado apenas por Brunelli.
Um outro aspecto interessante é que Brunelli sofria de pressão alta, que lhe produzia tonturas frequentes. Depois dessa experiência, sua pressão estabilizou em 14.
Além disso, Brunelli experimentou um intervalo de cerca de 33 horas de esquecimento total do que havia acontecido, recuperando a memória apenas depois que sua filha lhe perguntou diretamente sobre a noite em questão. Tal amnésia seletiva reforça a singularidade do episódio e coloca desafios à compreensão convencional dos fatos.
Após relembrar o episódio, os dois amigos perceberam a estranheza da situação. O próprio suposto trem, por eles observado era estranho e estava em um local onde não havia linha férrea.
Devido à estranheza do fato, ambos decidiram manter a história em segredo. Porém, uma professora, amiga da família Brunelli comunicou o fato à sucursal do jornal La Razón, cujos repórteres entrevistaram o senhor Brunelli e elaboraram uma nota que foi publicada no jornal.
Com a divulgação da notícia, uma família de Córdoba entrou em contato com o Brunelli, relatando ter presenciado o clarão.
Tito Aldo Isaía, Enrique Isaía, Ludovico Isaía, Ricardo Baile e uma moça chamda Estela, haviam saído de Balnearia entre as 2:35 e 2:45 a.m. de 16 de julho de 1972. Após 15 ou 20 minutos de viagem, encontravam-se na altura de Frontera (a 23 km de Balnearia) quando notaram em direção ao Sudoeste um forte relâmpago que iluminou aquela região por fração de segundos.
Na direção apontada está Arroyto, onde os dois amigos tiveram sua experiência e a hora da observação coincide com o horário daquele avistamento. Eles não chegaram a ver qualquer forma voando pelo céu, nem o suposto trem estranho, ao lado da estrada. Eles chegaram a Córdoba às 4h15, tendo levado entre 1h30 e 1h45 no trajeto.
Estes testemunhos adicionais agregaram credibilidade ao caso.
Teleportação
Existem vários casos de teleportação documentados registrados pela Ufologia. Talvez o caso mais antigo seja do soldado espanhol Gil Pérez, que teria ocorrido em 1593. Segundo o relato, Gil era um soldado espanhol, e m serviço nas Filipinas.
Em 24 de outubro de 1593, o soldado estava de guarda no Palácio do Governador em Manila , na Capitania Geral das Filipinas . Na noite anterior, o governador Gómez Pérez Dasmariñas foi assassinado por piratas chineses, mas os guardas continuavam a vigiar o palácio, aguardando a nomeação de um novo governador. O soldado começou a sentir tonturas e exaustão. Encostou-se à parede e descansou por um instante com os olhos fechados.
Ao abrir os olhos alguns segundos depois, ele se viu na Cidade do México, no Vice-Reino da Nova Espanha, a milhares de quilômetros de distância, do outro lado do oceano. Alguns guardas o encontraram com o uniforme errado e começaram a questioná-lo. A notícia do assassinato do governador das Filipinas ainda era desconhecida para a população da Cidade do México. O soldado transportado, segundo relatos, usava o uniforme da guarda do palácio em Manila e sabia de sua morte.
As autoridades o prenderam por deserção e sob a acusação de ser servo do diabo. Meses depois, a notícia da morte do governador chegou ao México em um galeão vindo das Filipinas. Um dos passageiros reconheceu o soldado preso e disse tê-lo visto nas Filipinas um dia após a morte do governador. Ele acabou sendo libertado pelas autoridades e pôde voltar para casa.
Outro caso interessante ocorreu na Argentina, em 23 de setembro de 1978, durante o Rally Sul Americano. Durante uma etapa realizada na Argentina, os competidores chilenos Carlos Acevedo e Miguel Ángel Moya viajavam pela Rota 3 quando, próximo à localidade de Pedro Luro, o seu Citroën GS foi envolvido por uma luz intensa e densa que os “levitou” da estrada. Após o que pareceu um breve lapso temporal, os pilotos recuperaram a consciência a dezenas de quilómetros de distância, notando que o odómetro do carro marcava uma distância percorrida impossível para o tempo decorrido e que o depósito de combustível permanecia estranhamente cheio, configurando um clássico relato de abdução e “missing time” (tempo perdido) que intriga investigadores até hoje.
Outro caso intrigante ocorreu na fronteira entre Brasil e Uruguai, em 1968 ou 1969. O Sr. Marcílio Ferraz, do grande consórcio açucareiro brasileiro Açúcar União, e a sua esposa, estavam viajando para o Uruguai, vindos da cidade de São Paulo. Quando perto da fronteira do Brasil e Uruguai depararam-se com uma “nuvem branca” na estrada, e “reapareceram” no imediatamente no México. Ambos sofreram um choque traumático grave e o marido começou a sentir-se tão mal que, após algumas semanas, consultou um médico e foi-lhe diagnosticado um tumor no cérebro. Pouco depois disso, durante a época do Carnaval, Ferraz suicidou-se com um tiro.
Mesmo no Brasil, temos o caso de Iolanda Kemiecki, que em agosto de 1979 desapareceu em Curitiba e reapareceu pouco depois, em Paranaguá, litoral do Paraná. Uma cidade distante 90 Km de Curitiba. Outro caso interessante é o de Célia Santana, que em julho de 1985, saiu para telefonar em um orelhão, deixando sua filha no sofá da sala. Quando deu por si, estava na cidade do Rio de Janeiro, sem saber como chegou lá. Ela procurou uma delegacia local e entrou em contato com os familiares que providenciaram o seu retorno.
O Incidente Brunelli–Porchietto permanece, mais de meio século depois, como uma das narrativas mais desconcertantes da ufologia sul-americana. Diferente de inúmeros relatos de luzes no céu ou objetos distantes, esse episódio deixou marcas mensuráveis: tempo encurtado, consumo anômalo de combustível, testemunhas independentes, sintomas físicos e amnésia seletiva. Não se trata apenas de algo visto — mas de algo que, de alguma forma, interferiu diretamente na realidade física e biológica de duas pessoas.
Para um pesquisador como Oscar Galíndez, que analisou o caso com entrevistas diretas e verificação cruzada, o valor do episódio não reside em provar uma nave extraterrestre, mas em demonstrar que algo fora do padrão ocorreu naquele trecho de estrada. A soma de fatores — o clarão, o “trem” inexistente, a lacuna espacial de mais de 80 km, o ganho de tempo e as alterações fisiológicas — forma um conjunto que dificilmente pode ser descartado como erro de percepção ou coincidência estatística.
Quando o caso é comparado a episódios clássicos de deslocamento anômalo — como o do soldado Gil Pérez, no século XVI, ou o dos pilotos chilenos no Rally Sul-Americano — surge um padrão inquietante: a aparente violação das regras usuais do espaço e do tempo. Esses relatos sugerem que, sob certas circunstâncias desconhecidas, pessoas e objetos podem ser “retirados” de um ponto do espaço-tempo e recolocados em outro, sem que o trajeto intermediário seja experimentado conscientemente.
No caso de Brunelli e Porchietto, essa hipótese é reforçada por um detalhe crucial: o combustível que não foi consumido. Se o veículo tivesse percorrido a distância normalmente, a gasolina teria sido gasta. Mas não foi. Isso indica que o carro — e seus ocupantes — pode não ter “percorrido” fisicamente parte do trajeto, mas sim saltado sobre ele, como se uma dobra invisível tivesse encurtado o caminho.

Oscar Galindez, pesquisador do caso.
Também é significativo que Brunelli tenha apresentado efeitos neurológicos e fisiológicos: amnésia temporária, áreas de insensibilidade na pele e até uma alteração benéfica na pressão arterial. Esses sinais são frequentemente relatados em casos de abdução, contato ou exposição a campos desconhecidos, sugerindo que os protagonistas não apenas observaram algo — mas foram afetados por ele.
Talvez o aspecto mais perturbador do Incidente Brunelli–Porchietto seja justamente este: não houve trauma imediato, medo intenso ou histeria, mas sim uma estranha euforia e uma sensação de normalidade após o ocorrido, como se a mente tivesse sido, de algum modo, “ajustada” para aceitar o impossível. Apenas dias depois, quando a lógica do tempo e do espaço foi confrontada pelos números do relógio e do tanque de combustível, é que a dimensão real do mistério começou a emergir.
No fim, esse caso não nos oferece uma resposta definitiva — e talvez isso seja seu maior valor. Ele nos coloca diante de uma pergunta incômoda: e se o nosso mundo não for tão sólido, contínuo e previsível quanto acreditamos? Se fenômenos capazes de dobrar o tempo, apagar quilômetros e tocar a mente humana existem, então episódios como o de Brunelli e Porchietto podem ser raros vislumbres de uma realidade muito mais ampla — uma realidade na qual o espaço, o tempo e a consciência não estão rigidamente separados, mas interligados por leis que ainda estamos longe de compreender.
E naquela estrada silenciosa entre Balnearia e Córdoba, numa madrugada de 1972, talvez dois homens comuns tenham atravessado, sem saber, uma dessas fendas invisíveis da realidade — retornando para casa não apenas mais cedo, mas carregando consigo um dos enigmas mais profundos da ufologia argentina.
Com informações de:
- GALÍNDEZ, Oscar. El Incidente Brunelli – Porchietto: Una Teleportation? Ovnis: Un desafio a la ciencia, n. 8, p. 2-9, set. 1975.


