
As Estranhas Mortes Ligadas à Questão dos OVNIs
Mortes e desaparecimentos ligados à Ufologia levantam suspeitas de possível silenciamento, embora também possam ter explicações convencionais.
Neste artigo:
Introdução
Ao longo das décadas, a Ufologia não se construiu apenas sobre relatos de avistamentos, investigações de campo e documentos oficiais liberados — mas também sobre um terreno muito mais nebuloso, onde mito, suspeita e inquietação caminham lado a lado. Entre esses elementos, um dos mais persistentes é a ideia de que certas pessoas, ao se aproximarem demais de uma possível verdade sobre os OVNIs, teriam sido silenciadas de forma deliberada. Essa narrativa envolve não apenas ufólogos civis, mas também jornalistas, cientistas, militares e até pessoas diretamente ligadas a programas governamentais sensíveis.
Diversos casos ao longo do tempo alimentam essa percepção. Um dos mais recentes é o do general aposentado William Neil McCasland, de 68 anos, que possuía ligações com programas secretos envolvendo tecnologia aeroespacial na Base Aérea de Wright-Patterson, nos Estados Unidos. Em 27 de fevereiro de 2026, ele desapareceu misteriosamente enquanto fazia uma trilha em Albuquerque, no Novo México. Sem portar celular, McCasland simplesmente sumiu, deixando para trás mais perguntas do que respostas — especialmente considerando seu histórico profissional.
Outro desaparecimento intrigante é o de Monica Jacinto Reza, engenheira aeroespacial da NASA e responsável pelo desenvolvimento de uma avançada superliga metálica conhecida como “Mondaloy”, voltada para motores de foguete. Seu trabalho era, inclusive, supervisionado por McCasland. Em 22 de junho de 2025, ela desapareceu durante uma trilha na Floresta Nacional de Angeles, na Califórnia, mesmo estando acompanhada por dois colegas experientes. O caso levanta questionamentos inevitáveis sobre a natureza de suas pesquisas e possíveis implicações além da engenharia convencional.
Mas nem todos os casos envolvem desaparecimentos. Alguns terminam de forma trágica — e, para muitos, suspeita. O jornalista investigativo Danny Casolaro é um exemplo emblemático. Inicialmente envolvido em uma vida tranquila, ele mergulhou em uma investigação sobre o roubo de um software altamente sofisticado, ligado ao chamado Projeto Promis, supostamente capaz de rastrear qualquer pessoa no mundo. Durante suas apurações, Casolaro teria esbarrado em temas ainda mais sensíveis, incluindo a Área 51, bioengenharia governamental e atividades ligadas a OVNIs. Em 1991, foi encontrado morto em um quarto de hotel, com múltiplos cortes nos pulsos — um detalhe que levantou dúvidas, já que o número de ferimentos parecia incompatível com um suicídio convencional. Familiares afirmaram que ele vinha recebendo ameaças semanas antes.
Outro nome frequentemente citado é o do astronauta Deke Slayton, um dos pioneiros da exploração espacial norte-americana. Há relatos de que Slayton estaria disposto a falar publicamente sobre experiências envolvendo objetos não identificados. No entanto, em 1992, foi diagnosticado com um câncer cerebral agressivo, vindo a falecer no ano seguinte. Casos semelhantes de câncer fulminante também atingiram figuras conhecidas dentro da Ufologia, como J. Allen Hynek, Ivan Sanderson e outros pesquisadores, o que para alguns sugere mais do que mera coincidência.
A jornalista Dorothy Kilgallen, uma das mais influentes de sua época, também figura nessa lista. Conhecida por sua postura crítica em relação às versões oficiais tanto do assassinato de John F. Kennedy quanto de fenômenos ufológicos, ela foi encontrada morta em 1965, em circunstâncias consideradas estranhas. Embora a causa oficial tenha sido uma combinação de álcool e barbitúricos, detalhes como a ausência de seus óculos de leitura, a roupa incomum que vestia e o fato de estar em um quarto onde não costumava dormir levantaram suspeitas duradouras.
Há ainda casos oficialmente classificados como suicídio, mas que continuam a gerar controvérsias. James Forrestal, ex-secretário de Defesa dos Estados Unidos, morreu após cair da janela de um hospital psiquiátrico em 1949. Já o físico James McDonald, defensor do estudo científico dos OVNIs, foi encontrado morto em 1971 com um tiro na cabeça, ao lado de uma arma e uma carta. Morris K. Jessup, outro pesquisador do tema, também morreu em circunstâncias semelhantes, dentro de um carro com gases tóxicos.
Em tempos mais recentes, o caso de Max Spiers chamou atenção. Investigador de teorias conspiratórias, ele teria alertado sua mãe para investigar caso algo lhe acontecesse. Em 2016, morreu subitamente na Polônia após vomitar uma substância escura. A causa oficial apontou pneumonia e overdose de medicamentos, mas o contexto alimentou inúmeras especulações.
Outro episódio particularmente inquietante envolve a empresa britânica Marconi Electronic Systems, ligada a projetos de defesa altamente sensíveis, incluindo a Iniciativa de Defesa Estratégica — popularmente conhecida como “Guerra nas Estrelas”. Entre 1982 e 1990, cerca de 25 cientistas e engenheiros associados à empresa morreram em circunstâncias incomuns. Alguns casos foram classificados como suicídio, outros como acidentes, e vários permaneceram inconclusivos.
Entre eles está Keith Bowden, cujo carro caiu de uma ponte em 1982, embora familiares contestassem a versão de embriaguez. Roger Hill foi encontrado morto com um tiro em casa; Jonathan Walsh caiu de um hotel na África após expressar medo por sua vida; Vimal Dajibhai despencou de uma ponte, apesar de não apresentar histórico de depressão; Arshad Sharif morreu em um episódio extremamente incomum envolvendo decapitação em um carro em movimento; e Peter Peapell foi encontrado morto sob seu carro, com o escapamento direcionado à boca.
Outros casos igualmente perturbadores incluem mortes por envenenamento por monóxido de carbono, overdoses suspeitas, acidentes inexplicáveis e até cenários considerados improváveis, como eletrocussão autoinfligida ou supostos “experimentos sexuais” que teriam dado errado — explicações que, para muitos, soam mais como tentativas de encerrar investigações do que respostas satisfatórias.
Diante de tantos episódios, surgem inevitavelmente hipóteses. Alguns acreditam em operações de silenciamento conduzidas por agências governamentais, destinadas a proteger segredos estratégicos. Outros sugerem experimentos envolvendo controle mental ou até a atuação de serviços de inteligência estrangeiros, como a antiga KGB, durante o auge da Guerra Fria.
Por outro lado, há também uma perspectiva mais cética, que aponta para fatores como estresse psicológico, pressão profissional, problemas pessoais e coincidências estatísticas em áreas de alta complexidade e sigilo. Trabalhar com tecnologia avançada, defesa e temas controversos naturalmente expõe indivíduos a riscos maiores — tanto físicos quanto emocionais.
No fim das contas, o que permanece é uma zona cinzenta. Entre fatos documentados, versões oficiais e interpretações alternativas, esses casos continuam a alimentar o imaginário coletivo e a fortalecer uma das narrativas mais intrigantes da Ufologia: a de que, talvez, existam verdades que ainda não estamos autorizados a conhecer — e que alguns pagaram um preço alto demais por tentar revelá-las.
Com informações de:
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SHELHORN, G. C. Crimes misteriosos no meio ufológico. Revista UFO, n. 54, p. 36–41, out. 1997.
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CREIGHTON, Gordon. Mysterious deaths of British scientists and intelligence personnel. Flying Saucer Review, v. 36, n. 2, p. 2–12, verão 1991.
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ROBBINS, Peter. The controversial deaths of UFO investigators, researchers and authors: part 1. Phenomena Magazine, n. 78, p. 3–7, out. 2015.
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ROBBINS, Peter. The controversial deaths of UFO investigators, researchers and authors: part 2. Phenomena Magazine, n. 79, p. 9–14, nov. 2015.
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ROBBINS, Peter. The controversial deaths of UFO investigators, researchers and authors: part 3. Phenomena Magazine, n. 80, p. 11–16, dez. 2015.


