
O Caso de Manzano Amargo
Este caso ocorreu em 1981 e envolveu Fermín Fincho Albornoz, um fazendeiro em Manzano Amargo, na região norte de Neuquén, na Argentina. Seu relato, envolvendo o encontro com dois pequenos seres, encontra similaridade com outros casos da Ufologia Internacional.
Neste artigo:
Introdução
O povoado de Manzano Amargo encontra-se a 526 quilômetros a noroeste, na província de Neuquén, e basicamente está no limite com o Chile, a cerca de 3.700 metros de altitude, em plena Cordilheira dos Andes.
José Fermín Albornoz (na época com 43 anos de idade) dedica-se à criação de gado, é casado, tem sete filhos e não conhecia outras fronteiras além de Neuquén.
Em 17 de fevereiro do verão de 1981, Fermin Albornoz e dois companheiros, estavam visitando os campos de seu pai, nos arredores de Manzano Amargo, em um patamar na cordilheira, onde eram criadas ovelhas.
Ao entardecer, eles ajeitaram as tralhas nos cavalos e se apressaram para voltar ao seu sítio em El Tapadero, muito perto do bosque Llao Llao. No trajeto, já ao anoitecer, eles passaram pelo posto de don Tito Fuentes. Ali, os fazendeiros locais realizavam algumas tarefas próprias do lugar, e Fermín desceu para dar uma ajuda. Quase ao pôr do sol eles decidiram seguir viagem.

José Fermín Albornoz, protagonista do caso, na época em que ele ocorreu.
“Meus vizinhos me disseram para ficar porque ia sair um churrasco, então aceitei o convite para depois continuar viagem”.
O jantar transcorreu normalmente e seus amigos o convenceram a pernoitar no local e partir ao clarear do dia. Ele aceitou. Eles se acomodaram em uma espécie de abrigo, quase a céu aberto, construído com madeiras e coberto com palha e barro.
“Eu tinha me deitado cedo naquela noite. Por volta de uma da manhã fui ver meus cavalos e depois voltei a me deitar”.
Por volta das quatro da madrugada de quarta-feira, 18 de fevereiro, José Fermín despertou sobressaltado diante de um repentino alvoroço que se produziu entre os animais (às ovelhas do curral se juntaram os cavalos e alguns cães).
“Enquanto dormia, o barulho dos animais, como se estivessem inquietos, me despertou — eram mais ou menos quatro da manhã. Quando começo a me levantar, uma luz intensa ilumina tudo, parecia dia”.
José se ergueu apoiando-se sobre a mão direita e distinguiu, a cerca de 20 metros do local onde se encontrava, uma luz circular de cor azul-celeste.

A região de Manzano Amargo.
Esse círculo luminoso foi estimado pelo testemunha com uma dimensão aproximada de 2 a 3 metros de circunferência, e que se encontrava suspenso a 40 cm do solo. A esfera luminosa irradiava um calor suave e não se ramificava ao redor.
Albornoz então chamou seu companheiro que não deu muita atenção ao chamado de José, optando por se esconder cobrindo-se com as mantas.
“Quando vi aquela luz falei com o outro rapaz e lhe disse:
‘Ei, olha o que está acontecendo…’
O outro gritou e cobriu a cabeça com o cobertor… e se meteu ao meu lado”.
Albornoz diz que foi nesses primeiros momentos que sentiu sobre sua cabeça um forte zumbido.
“Aquilo vinha de cima. Tive a impressão de que a terra tremia”.
Nesse instante, de repente, apareceram diante dele duas figuras humanoides de mais com pelo menos 1,10 metro de altura.
Olhando aquela luz, de repente vejo que aparecem de cima dois homenzinhos, meio baixinhos, que se aproximaram e ficaram a uns dois metros, parados, com as mãos coladas às pernas.
Fermín conta que os visitantes vestiam trajes azuis e que, nos instantes em que estiveram diante dele, não fizeram grandes movimentos.
“No meio do susto, eu só via que mexiam os lábios”.
Ele descreveu sua aparência como sendo semelhante à dos humano.
“Eles (os seres) eram pequenininhos e a roupa era azul-escura… estavam um ao lado do outro, bem juntinhos… A forma do rosto eu também não consegui ver, não sei se foi porque não tive coragem ou porque… eu tremia de medo, mas a luz que eles tinham… a luz era uma luz muito bonita… azulada, clara… uma luz mais bonita era aquela. Não sei o que era porque eu não estudei… não sei ler, então não sei o que podem ser essas coisas… Vocês podem me dizer o que foi que eu vi?”
Perda de Consciência
Os estranhos falaram algo, em um idioma estranho que ele não entendeu, até que em determinado momento pôde entender algo assim:
“Viemos buscar você, quer vir conosco?”
Essas entidades permaneceram imóveis por alguns segundos, a apenas dois metros do abrigo, quase aos pés de Albornoz. Depois desapareceram tão repentinamente quanto haviam aparecido.
José Fermín conta que, nesse momento, o único pensamento que teve foi em seus entes queridos ao mesmo tempo em que estava muito assustado.

Representação do caso.
Nesse instante, parece ter perdido a noção das coisas e não sabe mais o que aconteceu.
‘Ai, Senhor, o mundo vai acabar e eu não estou com minha família e com meus filhos’. E aí me perdi, não tive mais coragem… e quis atirar (correr para onde estavam os outros), mas o coração batia muito… perdi os sentidos de medo… Quando voltei a mim, os seres já não estavam e ouvi o barulho daquele aparelho que soava como um helicóptero, mas não tão forte, que se afastava por trás da vegetação e se perdia no meio do campo”.
Albornoz afirma que seu companheiro de quarto, apagou logo que a estranha luz surgiu. Fermín o sacudiu um pouco para que se levantasse e saiu correndo para avisar o dono do posto sobre o que havia acontecido.
Ambos viram a esfera luminosa se afastando em direção ao Oeste, enquanto continuava o alvoroço dos animais. Em meio à comoção, tiveram de recolher os animais, que estavam espalhados por toda parte. Albornoz e seus companheiros de trabalho demoraram três dias para reunir os animais que haviam fugido naquela noite.
O companheiro de José havia sofrido um impacto emocional tão forte que não queria falar com ninguém sobre sua experiência.
Por cerca de 15 dias, Fermín, sentiu tremores no corpo.
O fato começou a ser comentado pelos moradores locais e chegou ao conhecimento das autoridades. Policiais e agentes da Gendarmaria o procuraram para que desse seu testemunho.
“Por que eu iria mentir sobre isso, se nunca tinha ouvido falar desses seres? Eu só tinha visto muitas vezes coisas estranhas no céu”.

Representação do caso, feita com IA.
Poucos dias depois do incrível acontecimento, a notícia já era conhecida em todo o país. Ainda existem registros jornalísticos que comprovam sua divulgação.
Cerca de 20 dias após o fato, ufólogos estiveram no local investigando o caso. O relato do humilde fazendeiro foi avalizado por outras pessoas que o conhecem bem, assim como pela própria Polícia e Gendarmaria rural e pelo já citado ex-intendente Izaguirre, que afirmou:
“Tenha o senhor a plena segurança de que o que Albornoz afirmou é verdade”.
O professor Luis Recia conhecia muito bem José Fermín Albornoz. Ele declarou:
“O que José narra está baseado em um fato real, pois as pessoas, ao menos as daqui, em geral não possuem um intelecto desenvolvido para imaginar esse tipo de coisas”.
Essa afirmação do professor rural pode ser plenamente corroborada, não apenas porque Albornoz não obtinha nenhum benefício ao tornar público seu relato, mas porque, de fato, trata-se de uma pessoa de nível cultural muito baixo, simples, humilde, um homem do campo praticamente afastado do efeito contaminante dos meios de comunicação.
Os investigadores foram até o local onde o fato ocorreu, mas não havia qualquer vestígio físico aparente no local.
Além de apurar os fatos envolvendo o incidente principal, os pesquisadores descobriram outros casos de avistamentos na região.
Padrão recorrente
Em 1980, na mesma região, ocorreram vários avistamentos de OVNIs, nos quais houve testemunhas de relevância, como o ex-intendente de Chos-Malal, o Sr. Stanley Izaguirre, que relatou um avistamento que ele teve, junto a dezenas de testemunhas, quando avistaram um OVNI que ofuscou com suas luzes e iluminou a Cordilheira como se fosse dia.
A descrição dos seres e suas vestimentas encontram uma similaridade extraordinária com outros casos ufológicos documentados pela Ufologia. Não apenas a aparência dos estranhos seres, mas também o comportamento e a forma como apareceram e desapareceram.
Um destes casos ocorreu em Barrancas, província de Santa Fé, em 19 de junho de 1980, quando Antonio Gerardo D’Amico descreveu ter visto dois seres humanoides de cerca de 1,10 m, com trajes luminosos e aparentes capacetes, próximos a uma fábrica, enquanto ele voltava para casa à noite; segundo o relato, um dos seres começou a segui-lo por alguns metros antes de desaparecer repentinamente “no ar”, e o homem sofreu irritação ocular e sede intensa nos dias seguintes, o que foi confirmado por um médico amigo, e a investigação considera que o caso apresenta características não atribuíveis a ilusão ou fraude, sugerindo semelhanças com outros avistamentos de humanoides na região.

José Fermín Albornoz, em idade avançada.
Outro caso semelhante ocorreu em Las Salinas (10 de outubro de 1978, Argentina): dois homens — Miguel Ángel Carbajal (15) e Miguel Ledesma (23) — ouviram ruídos e perceberam interferências elétricas enquanto estavam na loja da família em Las Salinas, Tucumán. Ao investigar, encontraram objetos quebrados no chão e, a cerca de seis metros, dois pequenos seres humanoides (~1 m de altura) com trajes azuis brilhantes, capacetes e faces escuras com aparência irregular. Testemunhas locais também relataram luzes estranhas na área nas semanas anteriores, mas não houve confirmação independente do avistamento das entidades.
Na Itália, ocorreu outro caso semelhante, bem famoso: o encontro do pintor Repuzzi L. Johannis, em 14 de agosto de 1947. Ele trabalhava ao ar livre na região de Vila Santina, na Itália, quando ele viu um objeto discóide pousado a cerca de 50 m, acompanhado por dois seres de aproximadamente 1 metro de altura vestidos com macacões azul-escuros e capacetes; seus rostos eram marrom-esverdeados com olhos grandes. Ao tentar se aproximar, um dos seres teria usado um dispositivo que o paralisou momentaneamente, e os estranhos teriam então pegado seus materiais de pintura antes de voltar para a nave, que decolou e desapareceu. Os seres teriam mãos com oito dedos dispostos em pares opostos e o episódio é considerado um dos primeiros relatos de contato com tripulantes de OVNIs na ufologia moderna.

Jornal relatando o caso, na época em que ocorreu.
Na França, temos o caso dos humanoides em Marsois relata um encontro ocorrido em 1956 na floresta de Marsois, quando uma mulher identificada apenas como Sra. L. avistou dois seres de cerca de 1,20 m de altura, de corpo robusto e pernas arqueadas, vestidos com macacões brancos justos, luvas e botas pretas e capacetes escuros com viseiras translúcidas, que caminhavam em uma trilha perto de um dólmen pré-histórico. Inicialmente pensou que fossem crianças, mas ao se aproximar percebeu que suas proporções e comportamento eram estranhos; ao ser questionada, os seres apenas a encararam e se afastaram silenciosamente entre a árvores, sem demonstrar qualquer comunicação verbal. Investigadores ufológicos que estudaram o caso consideraram a testemunha lúcida e observaram semelhanças com outros relatos de humanoides na França nos anos 1950, embora nenhuma nave tenha sido vista e explicações mais convencionais tenham sido debatidas sem consenso.
O caso de Manzano Amargo é um daqueles casos instigantes que não podem ser explicados como paranoia gerada por ficção científica. A partir do momento em que a testemunha não tem influência cultural de filmes e séries abordando fenômenos ufológicos, tendo baixo nível de conhecimentos e cultura, mas que relata firmemente uma experiência de contato, então temos um alto grau de credibilidade.

José Fermín Albornoz, em idade avançada.
Além disso, o caso reúne várias características interessantes, como os efeitos nos animais, além dos efeitos fisiológicos, emocionais e psicológicos nas testemunhas, com o protagonista que goza de boa reputação, sem influências culturais.
O episódio de Manzano Amargo permanece como um dos relatos mais enigmáticos da ufologia sul-americana, não apenas pela estranheza dos seres descritos, mas pelo contexto humano, rural e isolado em que ocorreu. A convergência entre testemunhos sinceros, efeitos físicos nos animais, reações emocionais profundas e a impressionante semelhança com casos ocorridos em outros países sugere que José Fermín Albornoz pode ter sido, naquela madrugada gelada da Cordilheira, testemunha de algo que ainda escapa à compreensão da ciência. Entre o medo, o silêncio e a luz azul que cortou a noite, ficou registrado um dos muitos mistérios que continuam a desafiar nossa ideia de realidade.
Com informações de:
- FERGUSON, Carlos Daniel. Humanoides fantasma em plena Cordillera? Boletim UFO Press, p. 8–18, nov. 1986.


