O Caso Santa Ines

O Caso Santa Ines

Em 1979, crianças do bairro de Santa Inés, em Luján, relataram o pouso de um objeto luminoso desconhecido que deixou marcas físicas no solo, investigadas pela polícia e pela Comissão Nacional de Energia Atômica, sem explicação conclusiva.


Neste artigo:


Introdução

Na noite de quarta-feira, 19 de setembro de 1979, por volta das 19 horas, um episódio incomum passou a integrar o repertório ufológico da cidade de Luján, na província de Mendoza. Héctor Daniel Lara, então com 11 anos, brincava em um balanço próximo a um grande terreno baldio no bairro de Santa Inés quando convidou seu amigo Ricardo José Morón para acompanhá-lo. Enquanto se divertiam, Héctor percebeu algo estranho no céu: uma luz vermelha que se aproximava lentamente a partir do sudeste, piscando de forma intermitente e voando a baixa altitude, estimada em cerca de 20 metros acima do solo.

Após alguns segundos, a luz deteve-se sobre o terreno baldio, a aproximadamente 70 metros das crianças. O fenômeno então apresentou um comportamento ainda mais curioso: o objeto pareceu “saltar” cerca de dois metros, antes de pousar novamente. Intrigados e assustados, Héctor e Ricardo correram para avisar outros amigos — Adrián e Ulises Sepúlveda e Omar Barranca — que inicialmente duvidaram do relato, mas acabaram concordando em retornar com eles ao local.

Quando o grupo chegou ao terreno, o objeto ainda estava presente. As crianças relataram a observação de estranhas manifestações luminosas, descritas como feixes de luz branca e azul-clara que emanavam da fonte principal. Pouco depois, a luminosidade cessou abruptamente, como se o objeto tivesse sido “desligado”, e um som peculiar foi ouvido, comparado ao estalo de um chicote ou a um zumbido metálico. Assim que o ruído cessou, o fenômeno desapareceu sem que ninguém tivesse visto sua ascensão ou deslocamento final.

As marcas deixadas no local de pouso do OVNI.

Ao se aproximarem do ponto onde o objeto aparentemente havia pousado, as testemunhas encontraram marcas no solo: um círculo bem definido, com cerca de 50 centímetros de diâmetro, dentro do qual eram visíveis cinco pequenos orifícios — quatro dispostos lateralmente e um central. O caso foi comunicado à polícia local de Luján, e as crianças foram interrogadas na delegacia. Posteriormente, técnicos da Comissão Nacional de Energia Atômica (CNEA) também realizaram exames e coletas no local.

Segundo Héctor Lara, principal testemunha, o objeto possuía cerca de um metro de diâmetro e forma aparentemente circular, embora ele não tenha observado qualquer estrutura definida, como pernas ou trem de pouso. Na prática, o que lhe chamou a atenção foi a intensa luminosidade. Inicialmente avermelhado, o objeto teria mudado para um tom azul-claro ou azul celeste após tocar o solo, momento em que o estranho som passou a ser percebido.

O local onde o caso aconteceu.

Os demais depoimentos, em linhas gerais, confirmaram os acontecimentos principais, embora alguns detalhes destoassem. Ricardo Morón, por exemplo, descreveu um “disco voador” clássico, com cúpula e trem de pouso, versão que entrou em contradição com o relato mais simples de Héctor. As entrevistas, realizadas em grupo, revelaram divergências que levaram os investigadores a considerar a possibilidade de exageros ou interferência da imaginação infantil. Ainda assim, surgiram dois testemunhos independentes que reforçaram o episódio: uma outra criança, Sergio Ali, afirmou ter visto uma luz avermelhada deslocando-se em direção ao terreno baldio naquele mesmo horário, e o pai de Omar Barranca declarou ter ouvido o som estranho descrito pelos meninos.

No que diz respeito às evidências físicas, foram confirmadas alterações no solo. Policiais e técnicos encontraram cinco buracos com cerca de dois centímetros de diâmetro, dispostos dentro do círculo marcado no chão. O fotógrafo profissional Juan Carlos Campomaggi registrou as primeiras imagens do local e descreveu os orifícios como tendo profundidade semelhante, dando a impressão de terem sido produzidos por “jatos de ar”. Ele também confirmou a existência do círculo, aparentemente causado pelo impacto de um objeto sólido e pesado, considerando a extrema compactação do solo.

Análises posteriores não detectaram qualquer indício de radioatividade nem alterações químicas significativas na composição do solo, tampouco sinais de exposição a altas temperaturas. Testes com placas fotográficas também apresentaram resultados negativos. O terreno, uma área aberta de aproximadamente 200 por 150 metros, possuía solo duro e de difícil penetração, o que tornava ainda mais intrigante a presença das marcas.

O menino Osmar Barranca, no local do caso.

Nas conclusões do CICE-Mendoza, responsáveis pela investigação divulgada em 1981, ficou estabelecido que um objeto físico desconhecido parece ter caído ou pousado no bairro de Santa Inés, deixando vestígios concretos no solo. Não houve, contudo, qualquer evidência de radiação, calor intenso ou correspondência com aeronaves ou dispositivos voadores conhecidos. O relatório da Comissão Nacional de Energia Atômica corroborou os resultados negativos das análises, reconhecendo contradições nos relatos infantis, mas admitindo que o caso não poderia ser totalmente arquivado devido à existência de testemunhas independentes e marcas físicas reais.

Por fim, rumores sobre a presença de um suposto líquido misterioso capaz de causar inchaço em um policial foram oficialmente descartados. Segundo o arquiteto Parra, da CNEA, não houve qualquer vestígio químico detectável no solo, e o inchaço relatado tinha origem médica pré-existente. Assim, o episódio de Santa Inés permanece como um caso singular, marcado por relatos infantis, testemunhos complementares e vestígios físicos que, apesar de investigados, nunca encontraram uma explicação definitiva dentro do conhecimento convencional.

 

Com informações de:


  • UFO PRESS. Curitiba: [s. n.], n. 17, p. 7-11, jul. 1983.

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